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O Castelo de Beaxbatons era uma ode à perfeição: um verdadeiro palácio! Percorreram o jardim e, depois de baterem à porta, esperaram. Dumbledore havia enviado uma coruja a Madame Olympe Maxime, avisando-a da sua chegada. E foi exactamente Madame Maxime quem lhes de as boas vindas, quando a porta se abriu revelando um esplendor ainda mais soberbo, repleto de beleza magnânima, que reluzia no Hall de entrada do Castelo. Agora que olhava Beaxbatons pela primeira vez, Dumbledore chegava à conclusão que não existiria Directora mais adequada a esta academia de magia, pois o próprio Castelo parecia ter sido erguido inspirado nesta brilhante feiticeira, reconhecida não apenas pelo seu trabalho enquanto directora de Beaxbatons mas também pelos seus enormes poderes mágicos; o seu nome dizia quase tudo, “Olympe” invocava o grande panteão dos Deuses Gregos e “Maxime” invocava a beleza e a grandiosidade. E assim era Beaxbatons, enorme e belo! Quando Madame Maxime se afastou da porta, permitindo-lhes a entrada nos domínios do palácio, o deslumbramento apoderou-se de todos; ficaram perplexos perante tamanha imponência e beleza. Nas paredes do hall, que exibiam cores de tons azuis-claros, finas tiras de talha de ouro desenhavam molduras onde belíssimas pinturas os olhavam com interesse. O chão era de puro mármore. Pelas altas janelas chegavam danças de cores enquanto a luz invadia o cenário, inundando o hall de vida. Tapetes deslumbrantes levavam a vários corredores onde espelhos dourados assumiam mil formas, reflectindo o esplendor. Tudo isto era banhado por um leve cheiro que fundia flores frescas com o salgado mar. Nem parecia um Castelo, pelo menos não como Hogwarts, cuja beleza era também fenomenal, mas de uma forma mais crua. Beaxbatons parecia um fino fresco pintado com cores delicadas em tons de pastel, salpicadas com o cheiro do mar e polvilhadas com a mais pura beleza da magia.
– Venham. Entrrremos então no nosso Palácio; – disse Madame Maxime, pegando no braço do seu amigo de longa data “Dumbly-dorr”! Este mais parecia correr para acompanhar o paço da directora, que tinha sangue de gigante. Seguiram por um dos corredores onde se espalhavam os espelhos que reflectiam as suas silhuetas ora excessivamente gordos, ora incrivelmente altos ou demasiado baixos e magros. De quando em vez apareciam enormes portas de mogno escuro. Talvez a entrada para as salas de aula. O corredor era longo mas, estranhamente, não se viam quaisquer alunos, o que tornava este Castelo muito diferente de Hogwarts, onde a azáfama de alunos se espalhava pelos corredores a todos os momentos. Hermione admirava cada pedaço do castelo, bebendo da fonte da beleza. Enquanto isso Harry e Ron riam baixinho do passo extraordinário de Dumbledore! Finalmente o corredor terminou e entraram numa divisão enorme onde dezenas de escadas se moviam de um lado para o outro, tal como em Hogwarts. Aqui a beleza continuava a imperar, com as escadas construídas em mármore e corrimões ornamentados com motivos preciosos, talhados com extrema perícia ora em tons azuis-claros ora em tons pérola. Não usaram as escadas onde novamente nenhum estudante poderia ser visto. Continuaram a andar em frente, atravessando uma porta que os levaria a uma bizarra sala onde de súbito pareciam cessar as paredes, existindo apenas um tecto de veludo. A ausência de paredes delimitadoras deixava transparecer a natureza quase exótica que provinha de um jardim interior onde diversas cores se misturavam com o azul de um lago banhado pelos raios alaranjados de um magnífico pôr-do-sol. E ali, no jardim, pareciam estar todos os alunos reunidos, as raparigas, de pele clara e cabelo louro vestiam uniformes de seda azul-clara, como eles tinham visto em tempos em Hogwarts. Os rapazes vestiam uniformes de cetim de azul mais profundo. A beleza natural dos alunos e alunas não deixavam o palácio envergonhado, mantendo com ele uma rivalidade saudável.
Entraram no jardim e permitiram que um final de tarde perfeito lhes desse as boas vindas, momentos antes de o sol se esconder, deixando as sombras da noite repousar sobre todos. Um enorme relógio dourado soou oito badaladas, dando o sinal para o jantar. Os alunos olharam-nos, com um interesse que rapidamente se dissolveu. Pareciam ter esperado por algo mais… Abandonaram o jardim e entraram por uma porta que os levou a um corredor similar ao primeiro pelo qual haviam passado. Primeiro seguiram todos os alunos e depois seguiram eles, acompanhando Madame Maxime. Entraram por fim numa sala que equivaleria ao salão nobre de Hogwarts. Era uma enorme sala com três mesas corridas onde os alunos se sentaram aleatoriamente para grande espanto de Harry e Ron que trocaram olhares surpreendidos até que Hermione lhes sussurrou:
– Em Beaxbatons não existem equipas…lembro-me de ter lido isso numa obra que… – o sussurro de Hermione foi cortado pelos sorrisos de Harry, Ron e Dumbledore. Passaram entre duas mesas e dirigiram-se a uma outra mesa, a dos professores, que lhes aparecia no fundo da sala, construída em madeira de freixo antigo, belissimamente encrustada por rubis e esmeraldas que faziam dançar a mescla de vermelho e verde pela sala, onde tornavam ainda mais mágicas as centenas de estátuas de gelo que se espalhavam pela sala. Nas lareiras brilhavam lumes de várias cores. Por trás da magnifica mesa erguiam-se três pinheiros brancos, agigantando-se orgulhosamente à sumptuosidade de uma das mais belas salas que já haviam visitado. À medida que avançavam, logo atrás de Madame Maxime, os alunos levantavam-se e, colocando as mãos atrás das costas, mostravam um inequívoco respeito pela sua directora. Na mesa central vários professores estavam sentados, deixando ao centro cinco lugares desocupados, que lhes eram destinados. No seio da mesa algo brilhava em tons de azul, um azul tão intenso que apenas poderia ser proveniente de algo mágico. Quando alcançaram a mesa os Professores levantaram-se pois era assim que demonstravam respeito pelos convidados. Sentaram-se em cadeiras de cristal. Madame Maxime continuou de pé, bloqueando a vista para a proveniência da luz azul, que parecia ser criada por uma chama. Sensações de saudosismo imergiram nos corações de Harry, Ron, Hermione e até de Dumbledore, como se conhecessem aquela chama. Passaram os olhos pela sala, a vista era maravilhosa: os alunos erguidos, esperando que Madame Maxime tomasse o seu lugar, as paredes eram ornamentadas com janelas de ouro que mostravam uma vista ainda mais preciosa, ora sobre o mar, que assumia tons negros desenhados pelo luar, ora sobre um bosque de altas árvores. As estátuas de gelo reflectiam as danças de cores…sob as mesas estavam deliciosos pratos de fino recorte e de cheiro delicioso. Depois foram devidamente apresentados pela Directora, que usou frases lisonjeiras como “…o maiorrrr feiticeirrrô de todos os tempos, regrrressado de uma viagem pelos limiarres da morrrrte…” e “Harrrry Potterrr, o nosso salvadorr” que fez com que Harry e Dumbledore corassem um pouco. Quando Madame Maxime tomou o seu lugar, descobriu a fonte de tão fenomenal chama:o espanto tomou conta de todos, Harry, Ron, Hermione e Dumbledore trocavam olhares de incredibilidade: estavam na presença do Cálice de Fogo! E isso apenas poderia significar uma coisa, o torneio dos três feiticeiros realizar-se-ia naquele ano em Beaxbatons! E foi então que Albus Dumbledore percebeu o alcance das visões que o tinham assolado quando visitara pela primeira vez a fonte da magia: “uma candeia dourada ardia no interior de um ceptro, banhados em luz azul de uma chama mágica; um espelho incompleto reflectia-os, onde uma entrada em forma de arco se erguia…”. O Cálice de Fogo era uma das chaves da magia…

Na penumbra que se impunha ao fim do dia o silêncio vingava. Ninguém ousava proferir um som. Num momento de pura magia uma esponja lavava alguns pratos, pairando orgulhosamente sobre a lava louças instalada na cozinha da “Toca”. A noite chegou sem que os sons se impusessem ao silêncio. E a escuridão da noite era a desculpa que Ginny precisava para se escapar do ambiente defunto que pairava na família. Subindo as escadas, dois degraus de cada vez, depressa entrou no seu antigo quarto. Deitou-se na cama, sem fechar os olhos e esperou que todos adormecessem. Segurava na mão um colar, em forma de coração. Como não se tinha lembrado disto antes? Perguntava-se, segurando cada vez com mais força no colar. Tinha sido um presente de James : “…um presente para que nunca sinta a tua falta, sem poder logo abraçar-te…” . E Ginny amaldiçoou-se por apenas agora perceber: não era apenas um simples colar, era um botão de transporte! Era meia-noite. Ginny levantou-se e pegou numa mochila que já tinha preparado. Fechou os olhos e respirou fundo. Segurando o colar, murmurou algumas palavras que se perderam no ar. Fechou os olhos e sentiu-se levitar, rodopiando no ar surreal que a apertava, retirando-lhe o ar. A aterragem foi dura, lançando-a ao chão. Abriu os olhos e respirou profundamente. O ambiente nocturno recebia da lua uma luz alaranjada. As rochas agigantavam-se a uma vegetação rasa que balançava no ar frio da noite. Caído perto das rochas estava uma pequena varinha. Ginny pegou-lhe, madeira de abeto com núcleo de sangue de dragão. A varinha do seu filho, James. As lágrimas corriam-lhe no rosto quando o cheiro salgado impregnou a sua alma. Estava perto do mar…o raciocínio corria livremente e rapidamente: Voldemort deveria ter levado James para um esconderijo, um sítio que lhe dissesse algo, que fosse importante…talvez um sítio que já tivesse usado uma vez: a gruta onde o feiticeiro negro tinha escondido o medalhão! Procurou um pouco e encontrou o medalhão de James, um para ela e outro para ele, tinha sido o melhor presente que tinha recebido e agora tal assumia contornos ainda mais verdadeiros…

Continuação…

Perdidos no espaço, no tempo…conseguiam sentir os murmúrios constantes que se impunham ao silêncio. As dores abrandavam; Abriram os olhos ao mesmo tempo, sentiram-se confusos…por momentos não souberam onde estavam, mas depois… “James”… gritaram em conjunto, despertando de dias de agonia em que baloiçaram no limiar da morte. Fazia-se novamente silêncio, Mr e Mrs Weasley estavam lá,. Estavam também Hermione, Ron, Dumbledore e todos os outros. Albus e Rose dormiam no sofá. Uma ténue luz do fim de tarde entrava pela janela da ala de enfermaria. Mrs Weasley abraçou Ginny longamente, chorando. Todos estavam lá, todos menos James! De súbito Albus e Rose acordaram e correram para abraçar demoradamente os seus pais.
– Harry – disse Hermione – Todos lamentamos profundamente o que aconteceu, mas não fomos suficientemente fortes para o evitar. Queremos pedir-te desculpa…
– Não peçam, fizeram o que estava ao vosso alcance. Quanto tempo estivemos assim?
– Três dias.
– Três dias? Harry temos de nos apressar, temos de salvar o nosso filho já. Não há tempo a perder. – Disse Ginny tentando levantar-se, lutando contra as dores acutilantes que ainda lhe percorriam o corpo.
– Sim, temos de partir. – Concordou Harry.
– Não! – A voz de Dumbledore impôs-se de forma absoluta, paralisando os movimentos de Ginny e Harry. – Pensem bem, partir para onde e fazer o quê? – Dito isto, apesar de tentarem, nenhum deles conseguiu encontrar uma resposta, pois de facto não faziam a menor ideia do paradeiro de Voldemort. Então Dumbledore continuou:
– Muito bem. Não podemos perder tempo, nesse ponto têm razão; mas empregar o nosso tempo numa busca incessante e sem informação não nos levará ao nosso objectivo. Pensei muito sobre o que fazer a seguir e conclui que o mais sensato será continuar e seguir o nosso plano inicial; Devemos encontrar os artefactos que nos permitirão entrar na fonte da magia pois só assim teremos alguma hipótese de derrotar Tom Riddle.
– E James? Será suposto deixar-mos o nosso filho morrer? – Questionou furiosamente Ginny.
– Claro que não, mas pensem bem, também Tom planeia encontrar as chaves, assim, mais cedo ou mais tarde, os nossos caminhos cruzar-se-ão. E quando tal acontecer estaremos preparados para o derrotar e salvar James. Ele está mais poderoso agora, nada podemos contra ele sem os artefactos. Teremos de embarcar numa nova demanda ainda hoje! Por isso eu pergunto: quem está disposto a vir?
As respostas não surgiram imediatamente. Harry parecia lutar contra o seu coração, tentando ouvir as palavras da razão. O que Dumbledore acabara de dizer fazia muito mais sentido que partir numa perseguição a Voldemort. Mas o seu coração pedia-lhe que seguisse rumo ao incerto, tentando encontrar o monstro que lhe levara o filho. Ginny olhava assombrada para Harry e o seu olhar transformou-se em repulsa quando ele anuiu a Dumbledore. Seguiriam o plano inicial. Hermione e Ron prontificaram-se a seguir Harry. Ginny estava inconsolável. Com as lágrimas a beijarem-lhe a face disse:
– Eu não irei… – Harry e os outros olharam-na espantados – Ficarei com os nossos filhos. Não posso perdê-los também…
– Mas… – principiou Harry.
– Está decidido! – Gritou Ginny. Harry anuiu de novo. Quando Ginny decidia algo, não havia nada a fazer e ele sabia-o.

Um vulto voou no céu nocturno, despedaçando a luz lunar que abraçava a noite em tons amarelos escuros. Um manto negro cobria-lhe todo o corpo, não permitindo distinguir a sua cara. Levava nos braços o corpo de um miúdo. Voou sobre o mar que lhe foi salpicando o manto, impregnando-o de cheiro salgado. Chegaram a uma gruta quando os primeiros raios de luz atingiam o extenso mar. Entraram e o miúdo acordou. Gritos mudos despertavam-lhe no peito mas nunca se ouviriam pois, com um simples movimento, Lord Voldemort silenciara os lábios de James Potter. O prazer que isso lhe dera foi manifestado com uma gargalhada maléfica. Novo movimento de varinha e sangue irrompeu do braço de James, permitindo-lhes penetrar na gruta. Um lago negro adornava o subsolo. Um barco surgiu, deslizando com eles através dos inferi. E onde outrora descansara um dos Horcruxes, foi deixado James, encarcerado nas trevas do feiticeiro negro…

Uma espada de lâmina mágica, cintilante, com o cabo incrustado de rubis e com a inscrição “Godric Gryffindor” foi guardada, por fim, no saco mágico de Hermione. Tudo estava preparado para a partida. Com um suspiro profundo Hermione deu por concluída a tarefa. Sentia a nostalgia do momento, fora há tanto tempo atrás que enchera aquele saco, e, no entanto, as razões eram quase idênticas: Voldemort! Estavam na “toca”, a casa da família Weasley. Hermione e Ron saíram do quarto e desceram as escadas em direcção à cozinha. Sentados à mesa estavam Mr e Mrs Weasley, Dumbledore e Bill, acompanhado por Fleur Delacour, a sua esposa. Era Fleur quem falava, explicando a Dumbledore a forma de descobrir a escola de magia e feitiçaria de Beaxbatons, uma das escolas mais bem escondidas do mundo mágico. No hall de entrada Harry e Ginny olhavam o relógio mágico da família. Um relógio muito especial, que mostrava os elementos que compunham a família, bem como se encontravam. Os seus olhares repousavam num pequeno ponto do relógio, onde por baixo do nome de James aparecia o aviso “em viagem”. Os miúdos dormiam lá em cima. O ambiente era pesado. A noite ia longa quando Harry beijou os seus filhos e Ron e Hermione fizeram o mesmo com os Rose e Hugo. Reuniram-se em volta de Dumbledore, relaxando um pouco os espíritos antes da grande viagem. Cerrando os olhos, Harry, Ron e Hermione abraçaram uma nova aventura, agora ao lado do seu mestre: Dumbledore. Com um som estridente desapareceram, deixando na “toca” apenas o pó a dançar no ar, no lugar onde até aí tinham permanecido. Ginny voltou as costas e subiu as escadas de forma decidida, havia muito a fazer…

Apareceram num pequeno bosque, perto da orla de uma cidade. O som cortou o ambiente da madrugada fria. O silêncio reinava, sendo apenas quebrado ocasionalmente, quando pequenas gotas de humidade caíam através das folhas da vegetação rasa que os circundava.
– Sigam-me. – disse Dumbledore, enquanto escolhia um caminho que os fez afastar do bosque. Seguiram longamente sem encontrar ninguém até se aproximarem de uma cidade que acordava. Uma placa informativa dizia, em bom Francês, “Bem vindos a Cannes”. A cidade era linda, repleta de espaços verdes onde vários muggles aproveitavam as primeiras horas da manha para fazer jogging. Passaram quase despercebidos com as suas vestes de feiticeiros perante o despertar daquela cidade Francesa. Pairava no ar um cheiro doce proveniente da massa de “Croissants” acabados de sair do forno. Não demoraram muito a encontrar um vasto jardim florido. Dumbledore ia recitando as palavras de Fleur Delacour, “ Dumbly-dorr, não pode cometerrr nenhum errô para acharr o caminho…”; A imitação da pronúncia de Fleur por parte de Dumbledore foi tão hilariante que todos riram durante alguns minutos. Por fim Dumbledore parou. Estavam em frente a uma velha casa de banho muito mal tratada, que contrastava com o ambiente de perfeição que imperava no jardim. A construção parecia tão deslocada que de súbito todos perceberam: não era visível para os muggles! Decidido, Dumbledore entrou e um a um os companheiros imitaram-no. No interior da casa de banho encontraram-se na mais perfeita escuridão.
– “Lumus”. – A luz embateu numa pequena porta que estava semi-aberta. Com determinação Ron abriu a porta por completo e o espanto apoderou-se de si. Saíram todos por fim, entrando num cenário maravilhoso. Um enorme brasão recortado na relva mostrava duas varinhas cruzadas com três estrelas saindo de cada uma delas. O castelo de Beaxbatons aparecia-lhes soberbamente incrustado na mais pura magia de uma manhã de sol dourado; As torres colossais de beleza terna reflectiam-se nas límpidas águas de um mar azul celeste que acompanhava a linha do horizonte. Jardins sumptuosos delimitavam a entrada principal, levando a uma enorme e soberbamente esculpida porta de carvalho escuro. O cheiro adocicado de milhares de flores dançava no ar uma ode de beleza, o seu par era o cheiro salgado de um mar penetrante. O castelo estendia-se por pavilhões cada vez mais belos onde janelas de prata decoravam os dez pisos que pareciam querer tocar o céu. Jardins floridos e vastos campos onde irrompiam bosques e lagos apareciam a sul do mais belo Castelo que algum dia Harry, Ron, Hermione e até Albus Dumbledore tinham admirado…

Primeira parte 4º Capítulo

Por momentos o silêncio imperou e nem os lumes abrigados pelas lareiras do salão ousaram crepitar. O espanto enleou-se no mistério dando por fim origem ao medo. Sim, o medo ribombava em cada espírito, medo do desconhecido…pois poderia Albus Dumbledore ter vencido a morte? Contudo não era só o medo que acompanhava cada segundo de tensão. Enquanto os olhares se fixavam num dos heróis da magia, também a saudade ditava as descompassadas batidas dos corações mágicos. E essa saudade era expressada através das lágrimas que não hesitavam em correr nos rostos de todos os presentes. Lágrimas que corriam também no rosto de Dumbledore, descendo até ao eterno abrigo de pérola fornecido pela sua magnífica barba.
– Muitos de vós ouviram estas palavras noutros dias, mas infelizmente são elas as palavras mais apropriadas para esta ocasião: Grandes mentes cometem grandes erros!
E é por um erro, oh… um infeliz e enorme erro…é devido a esse infortúnio que me encontro aqui perante vós – as palavras de Dumbledore ressoavam pelo salão nobre fazendo eco nos corações dos presentes que não evitavam expressões de espanto. – Contudo, e penso ser essa a maior infelicidade, não tenho ainda a certeza da magnitude desse erro, pois ainda não sei delineá-lo; meus caros, o que tenho para vos dizer poderá abalar muitos de vós pois certamente me abalou a mim…

Se fora o silêncio que precedera a explicação de Dumbledore era também o silêncio que reinava no final das suas palavras. Mas era um silêncio diferente, era frio e cortante onde outrora fora quente e esperançoso, era violento e medonho onde fora espantoso e fantasioso. Mas nem todos os ouvidos foram tocados pelas palavras do mestre; Apesar de ninguém ter reparado ouve quem se tivesse levantado e tivesse saído pelo seu próprio pé, sorrateiro e cuidadoso, apresentando olhos desprovidos de qualquer vontade e movimentos enérgicos, alguém conduzido pela magnânima vontade de outrem. Havia-se escapado sem se fazer notar pois as palavras de Dumbledore haviam sido absorventes, distraindo todos os outros, e assim era também o estado de espírito dos presentes depois de ouvir o que Dumbledore tinha para lhes contar. O medo voltara pois “Aquele que não deve ser Nomeado” voltara! Harry e Ginny olharam para a mesa dos Griffyndor, procurando instintivamente pousar o olhar nos seus filhos. Algo não estava bem, sentiam-no: um aperto no coração, como nunca haviam experimentado! Os seus olhos repousaram em Albus, depois em Lilly…mas não encontrariam o sorriso de James!
– JAMES!!!- gritaram em uníssono… – Todos olharam para eles, assustados. James não estava ali… O som de varinhas a serem desembainhadas tomou conta daa noite enquanto um único pensamento percorria as mentes de todos.
– AH..AH…AH… – Um riso maléfico inundou o mundo, destruindo a esperança. Parecia vir lá de fora; Harry foi o primeiro a reagir, conhecia bem aquele riso. Correu para a porta do salão, sendo desde logo seguido por Ginny, Ron, Hermione e todos os outros. Dumbledore fechou os olhos e empunhou a sua varinha. A porta do salão estremeceu com a força avassaladora que acompanhava Harry. Um frio cortante deu-lhe as boas vindas enquanto uma bruma fantasmagórica lhe toldou a visão. Correu impelido por um pressentimento, que o guiava através do pesadelo de perder um filho. A orla da Floresta Proibida abrigava uma figura de média estatura que envergava um manto negro de capuz profundo. Harry não lhe conseguiu distinguir o rosto mas soube que era ele. Uma nova risada foi lançada no ar em tom de desafio. Foi então que o viu, caído aos pés da figura negra, sem expressão… ali estava James, o seu filho! A figura apontou a varinha em direcção ao chão e uma luz esverdeada rompeu as brumas. Do solo surgiu um pequeno objecto que estivera enterrado, era arredondado, parecia insignificante, uma pequena pedra talvez; O homem encapuçado agarrou o objecto e olhou Harry que subitamente foi atingido por uma violenta dor na cicatriz que o levou a ajoelhar-se… Voldemort olhou-o e lançou feitiços sobre o seu corpo, sucessivamente, com uma expressão demoníaca, louca de raiva, de ódio. O corpo de Harry foi atingido, as roupas desfizeram-se e também os seus gritos de dor encontraram o mesmo destino. O sangue cobria-lhe todo o corpo e deixava já uma poça lodosa no solo molhado. Uma luz vermelha passou por cima dos ombros de Harry, qual relâmpago, que galgou o tempo e o espaço destinado a atingir Voldemort; O feitiço tinha sido lançado pela varinha de Dumbledore! Com um leve movimento de pulso uma luz verde surgiu contra atacando o feitiço; as duas ondas de energia encontraram-se e mediram forças enquanto os dois feiticeiros se digladiavam. Nenhum dos dois parecia ser superior. Mas Dumbledore não estava sozinho e num momento de compaixão e união todos se juntaram conjurando os feitiços que primeiro lhes ocorrera, alguns complexos e poderosos, outros simples e fracos, mas todos eles se juntaram criando um poder enorme que fez tremer a floresta. Num rápido movimento Voldemort ergueu a varinha e James foi elevado do solo, servindo de escudo para tão poderoso feitiço. O tempo pareceu parar enquanto a onda de energia se deslocava em direcção a James. Com um grito agigantado pelo momento Ginny correu para Harry, e, de mãos dadas, os dois colocaram-se à frente do feitiço…com um som colossal e extrema violência o feitiço embateu nos seus corpos, deixando-os prostrados no chão, quase mortos…
– Há, Há; que irónico, a protecção do amor funciona de novo, contudo agora em meu proveito… – E, carregando James, Voldemort voou para lá da Floresta…

Espero que tenham gostado desta primeira parte de um capítulo muito empolgante, é agora que realmente começa a história principal da fan fic, sendo que os capítulos anteriores consistiram basicamente numa introdução! Podem esperar agora muitos desafios e muitas aventuras com cenas intensas… Um obrigado a todos os que tÊm esperado e por vezes desesperado por novos capítulos, espero que continuem a visitar a fic!

Roberto Mendes

Final 3º capitulo…

A excitação atingia agora o pique máximo pois Hogwarts aproximava-se rapidamente. Foi com uma sublime alegria que os alunos trocaram de roupa, vestindo os uniformes da escola. Era sempre um momento especial, pensou Harry, vestir o uniforme era abraçar Hogwarts, “vestir” a magia!
Saíram do comboio, caminharam por um caminho estreito que levava ao lago negro. Uma pequena frota de barcos levou-os até uma gruta que desembocava numas escadas. Subiram as escadas e chegaram a uma porta que se abriu deixando antever um enorme hall de pedra magnificamente polida. Por instantes Harry conseguiu vislumbrar a porta que permitiria entrar no grande salão nobre, iluminada por uma chama inconstante que se consumia com esplendor, oferecendo um jogo de luzes deslumbrante, mas o seu ângulo de visão foi rapidamente bloqueado pela pequena confusão que a entrada no castelo sempre causava, milhares de alunos voltavam a sentir a magia de Hogwarts, o mundo mágico abraçava um dia pleno de glória…mal sabiam eles que o vento não sopra sempre com a mesma intensidade, e que se uma pequena briza trazia esperança, estava ainda um furacão preparado para varrer todos os sorrisos, trazendo no sopro do medo uma noticia que mudaria o mundo. Um murmúrio encantado provinha daquele hall em que todos esperavam, já mais ou menos aconchegados pelo terno ambiente do castelo. De novo se viam os prefeitos gritar instruções para manter a ordem, de novo se viam caras de sorriso mágico, pois poucos sabiam a verdade, apenas eles… Tentando manter um sorriso desenhado no rosto, Harry e os outros sentiam-se deslocados no meio de tantos alunos…tinham no entanto decidido acompanhálos por recearemo pior, era tempo de se protegerem, de proteger a vida dos seus filhos, que amavam acima de tudo. Lentamente a excitação foi abrandando até se chegar a um nível de silêncio quase absoluto. Uma pequena porta foi aberta e dela surgiu a professora Macdonagall, com a sua pose dura, contudo deslumbrante, num misto de ternura e rigidez. Harry sentiu-se transportado no tempo, mergulhando profundamente nas teias da memória: o primeiro dia… Harry ali, esperando pela magica entrada no salão, no que prometia ser um mundo de fantasia…o medo da selecção, sentir Hogwarts pela primeira vez… tinha sido a Professora Macdonagall a recebê-lo; Harry sentiu uma súbita vontade de voltar, de ter onze anos outra vez e poder descobrir a magia pela primeira vez, de passar tardes na relva junto ao lago na companhia de Ron e Hermione, de passar noites na sala comum embevecido pelo calor da chama da amizade. Saudades de aventuras que o esperam a cada momento… A porta do grande salão abriu, despertando Harry do seu transe . O grande salão aparecia deslumbrante, com as suas quatro mesas dispostas em filas, uma para cada casa, onde o ouro dos pratos reluzia em conjunto com a prata dos talheres, milhares de candeias que tombavam no ar faziam dançar a luz voando sobre um céu magnifico, aveludado, que imitava a noite de forma soberba, com estrelas brilhantes que guiavam os espíritos, trazendo esperança! Uma lua branca imperava naquele céu mágico guardando as almas da magia. Nas paredes as bandeiras das casas impregnavam a sala com o perfume das cores: vermelho, dourad, escarlate, verde…sublime! O chão brilhava, sorrindo para a noite. Várias lareiras abrigavam lumes felizes , que falavam com os sonhos ao aquecer o ambiente. Por trás da magnifica mesa de mogno polido e brilhante de tons castanhos serenos, onde se sentavam os professores, estavam colocadas sete magnificas árvores de natal, iluminadas com as cores da ternura e do amor, da paz e da amizade, da compaixão e da esperança. As recordações abatiam-se sobre Harry à medida que ia entrando no salão, deixando-o abismado com a força da magia de Hogwarts, que resplandecia em puro esplendor. Mais algumas mesas tinham sido acrescentadas onde já se encontravam sentados todos os feiticeiros da comunidade mágica. O ambiente era de amizade e festa…mal sabiam eles… Os professores estavam sentados; Harry acenou a Neville e a Hagrid, apresentavam expressões que contrastavam com a da maioria. De pé, por trás do púlpito com uma fénix brilhantemente talhada na madeira, encontrava-se Kingsley, o ministro da magia esperava pacientemente que todos se sentassem. Harry, Ron, Hermione e Ginny encontraram lugares numa mesa junto do púlpito. Um coro entoava canções felizes…quando todos se sentaram a canção cessou e o silêncio imperou; foi Kingsley que rompeu o silêncio:
– Bem vindos, caros feiticeiros e feiticeiras, caros alunos de Hogwarts! Hoje é um dia de respostas…começo por vos pedir desculpas pela forma como as respostas vos foram sonegadas até agora, contudo existem fortes razões que motivaram a formacomo o ministério actuou, como poderão comprovar; Pensei muito sobre como deveria começar. Decidi ser mais sensato começar pelo inicio: a queda do mago negro aqui mesmo neste salão pelas mãos de um jovem feiticeiro que todos conecemos e admiramos – uma salva de palmas sentidas fez-se ouvir e até as estrelas brilharam com mais intensidade, Harry corou ao ver o entusiasmo com que os seus filhos batiam palmas; – Foram dias terríveis, oh sim; dias que apenas a amizade e os laços fortes de amor e compaixão conseguiram atenuar. Mas dias que ultrupassamos, ainda que sem a presença de um dos maiores feiticeiros de todos os tempos: Albus Dumbledore- nova salva de palmas… – Mas o que vocês não sabem é a razão pela qual a magia cessou…porque nos abandonou a nossa maior aliada, a rainha do nosso mundo? Bem, a resposta não é simples…e não serei eu a contar-vos; – Um canto mágico soou no salão, falava de amizade e esperança em dias negros de medo e trevas onde a chama do amor aquecia o coração dos justos. Era uma melodia que todos conheciam mas que há muito não se ouvia. As lágrimas desceram nalguns rostos. Uma Fénix de plumagem vermelha, magnifica, surgiu sobrevoando de forma magistral todos os presentes que, confusos, reconheciam a criatura mágica. A fénix foi pousar no púlpito que Dumbledore costumava usar, Kingsley afastou-se. Uma luz brilhante invadiu a sala, ofuscando todas as estrelas do falso céu, incandeando a lua, levando todos os presentes a fechar os olhos. O barulho de passos fez-se ouvir. O canto atingia notas sublimes…a luz sem calor foi desvanecendo…lentamente todos abriram os olhos e sons de espanto acompanharam gritos assustados: Albus Dumbledore aparecia deslumbrante, com a fénix pousada no ombro, envergando vestes azuis brilhantes e de cara serena, com a sua longa barba cor de pérola descendo pelo corpo. Os óculos de meia lua a cair no nariz, e as mãos levantadas num gesto de amor e saudade. Albus Dumbledore estava vivo e ali, no salão de Hogwarts, no seu salão!

Resposta aos Comentários

Caros leitores:

Os novos capitulos estão a ser desenvolvidos o mais rápidamente possivel apesar de sofrer muito com a escassez de tempo;

Serão capítulos com muito originalidade e que podem surpreender pelo rumo que darão à história; Por isso não desistam de vir ler que eu não desistirei de escrever…

Apareçam no correiodofantastico.wordpress.com que é um projecto que desenvolvo com outros amantes da literatura fantástica e que é já uma referência dentro do seu género;

Caro Francisco: Podes deixar-me o teu e-mail para te poder contactar? Fico contente por gostares da história, gostava de saber mais sobre o que pensas desta fic…

Obrigado a todos!!!

O dia havia acordado em tons de cinzento e um vento frio fazia soar toda a sua força embatendo no comboio como que dois colossais guerreiros travando uma batalha mítica. Harry olhava pela janela: as casas apareciam a correr e desapareciam da sua vista com extrema velocidade. Poucos minutos passaram para que o comboio saísse de Londres e as vistas mudassem para cenários idílicos férteis em campos verdejantes, onde alguns carneiros e algumas vacas pastavam. O sol estava quase a esconder-se para lá das montanhas que apareciam no horizonte. Harry permanecia em silêncio, desligando-se um pouco das vistas que passavam lá fora, passeando os seus olhos de Hermione para Ron, enquanto afagava o cabelo de Ginny, que dormia no seu colo. O comboio fervilhava com a energia de todos os jovens feiticeiros que se dirigiam para Hogwarts, o ruído que provinha das diversas carruagens borbulhava de festividade e energia. O ambiente que dominava o comboio contrastava bastante com o daquela carruagem, ali o cansaço era bem visível e também o saudosismo imperava. O cansaço provinha do colossal trabalho que tinha sido executado em tão curto espaço de tempo. Não demorou muito para que o olhar de Harry encontrasse lá fora uma imagem de montanhas e florestas que se destacavam sob um céu vermelho-púrpura. Não estavam longe. Hogwarts reabriria, seria o último lugar a ser reaberto depois da hercúlea tarefa de mudar de novo todo o ministério e da não menos complexa “operação gringotts” (como tinha ficado conhecida no seio do ministério); Harry revisitava as imagens fortes que todos tinham testemunhado; Mas a maior surpresa estava ainda guardada. Todos os feiticeiros tinham sido convocados para estarem presentes em Hogwarts: uma explicação sobre todos os acontecimentos tinha sido prometida por parte do ministério pois o secretismo ainda reinava na comunidade mágica e os elementos explicativos para todos os acontecimentos que se tinham processado eram escassos. Kingsley, depois de aconselhado por Dumbledore, havia aceite que o melhor a fazer era não revelar de imediato o regresso de Dumbledore tal como tinha concordado que seria de melhor prudência deixar uma explicação sobre o regresso do Voldemort para mais tarde, par quando todos se pudessem reunir e escutar as sérias e duras palavras que necessitavam de ser proferidas. Ron tinha agora adormecido e Hermione encontrava-se completamente absorvida nos seus pensamentos. Harry procurou algo para dizer mas acabou por não encontrar nenhuma palavra. Era estranho viajar de novo naquele comboio, especialmente porque tudo parecia igual, tudo acontecia de novo mas desta vez ele não sentia a felicidade do passado, sentia medo! Muito do que se tinham proposto a alcançar havia sido conseguido. Até lhe custava a acreditar que apenas há uma semana atrás a magia continuava ausente nos limiares de Londres, que Hogwarts e tudo o que conhecia do universo mágico estava completamente vazio, como que morto. Agora quase tudo estava resolvido e uma nova demanda se aproximava. A sua mente recuou alguns dias: o reabrir do edifício branco como a neve que se erguia acima das pequenas lojas da, uma vez mais fervilhante, diagon-alley. De novo voltaram a estar presentes as pequenas figuras usando um uniforme escarlate e dourado que trabalhavam incessantemente atrás de um enorme balcão com capacidade para mais de cem duendes que voltariam agora a analisar pedras preciosas através das suas lupas incrustadas de diamantes, a escrever de forma apressada nos livros de registo ou a contarem moedas de bronze, prata e ouro em balanças de cobre. Harry lembrava-se como se tivesse acontecido apenas alguns dias atrás… tinham chegado a um pequeno bar com um aspecto sujo que surgia apertado entre uma grande livraria do lado direito e uma loja de discos no seu lado esquerdo. Mal sabia Harry que a impressão que tinha de que apenas ele e Hagrid conseguiam ver a entrada para o caldeirão escoante se traduziria na mais pura verdade. Surpresa atrás de surpresa uma parede de tijolos deslizou para lhes dar entrada para a vila mais espectacular que Harry havia visto até ali. Mas as maravilhas sucediam-se e a maior de todas havia sido Gringotts. As suas portas brilhantes de bronze davam entrada para um hall onde duas portas os esperavam. E uma inscrição reluzia com a tremenda força que as palavras certas podem adoptar: “entra estranho, mas tem cuidado; a avidez é um pecado; e os que levam sem querer merecê-lo; um dia terão de perdê-lo; Se buscas, pois, no nosso chão; o tesouro que pertence aos que dão; podes achar, ladrão cuidado; Mais que o tesouro, estás avisado”; Harry nunca esquecera estas palavras, especialmente quando ele, Ron e Hermione planearam e sucederam em “assaltar” Gringotts. Ao ver os duendes de olhar inteligente, rosto moreno e de barba pontiaguda a retirarem o pó que ousou cobrir tão verdadeiras palavras Harry sentiu algo no seu peito. Seria ele agora um mero saudosista? Mas rapidamente afastou esses pensamentos bruscos que lhe assaltavam o espírito e voltou a abraçar a realidade do comboio.

Nova plataforma no blogspot

A mudança para o Blogspot deve-se a uma maior facilidade de acesso à história por parte dos leitores pois a divulgação do blog é bem mais fácil nesta plataforma.

Aos leitores antigos:

Espero que gostem desta nova plataforma e que voltem para que eu possa partilhar a minha paixão convosco; Fico à espera dos vossos comentários sobre o novo blog da fan fic.

Aos novos leitores:

Desafio-vos a entrarem neste mundo em que a história do Harry tem nova continuação, em que a saga continua. Apenas com as opiniões dos leitores a história pode crescer por isso ficarei à espera dos vossos comentários (negativos ou positivos);

A todos um muito obrigado!!!

Roberto Mendes

p.s: A mudança foi feita manualmente do site harrypotterfanfic.bloguepessoal.com por isso peço desculpa por qualquer imperfeição que possa vir a surgir, quer nos posts quer nos comentários;

Quando todos desceram e saíram pelos portões do castelo as árvores projectavam sombras compridas e estreitas na relva, o sol escondia-se, vermelho, seguindo a viagem que o levaria a adormecer para lá da floresta proibida. Mas a escuridão que se anunciava não conseguia apagar a luz que dominava os rostos de todos os que ali se encontravam, pois a magia havia voltado! E ninguém parecia reparar que quatro rostos não estavam tão iluminados: Ginny, Ron, Hermione e Harry deambulavam por entre todos aqueles rostos felizes, por entre varinhas empunhadas das quais saíam todos os tipos de cores orgulhosas. Sentaram-se num chão de folhas mortas que haviam caído de uma velha árvore. Esperaram em silêncio, sabiam o que tinham de fazer, falar com Kingsley Shacklebolt, o Ministro da Magia. Esperaram algum tempo, um crepúsculo denso aproximou-se, um vento frio de ocidente suspirava nos ramos das árvores que pareciam murmurar algo. Finalmente os feiticeiros começaram a afastar-se, deixando o Castelo, sorrindo…se ao menos soubessem o que se avizinhava, o que o destino lhes tinha preparado para o futuro; Muitos foram-se despedindo deles, Hagrid abraçou-os um a um, enquanto as lágrimas lhe escorriam do rosto:
– Seria um dia que Dumbledore ‘doraria hem? Mas onde ‘stará o seu corpo? -Exclamou o fiel meio gigante.
– Hagrid – respondeu Harry, na sua cara estava bem expressa a gravidade da situação – Por favor espera um pouco, precisamos falar; a situação é grave.
– Mas qu’ se passa? É s’bre o corpo não é?
– Sim Hagrid, mas é melhor falarmos lá dentro.
Hermione foi a primeira a levantar-se, os miúdos brincavam no interior de Hogwarts; Não demorou muito para que de novo entrassem no saudoso castelo que agora parecia vivo, repleto de magia; Harry pediu para que Kingsley e Macdonagall os acompanhassem. Hermione chamou Neville que prontamente acedeu ao pedido da sua amiga.
Harry liderava o grupo, enquanto passavam por alguns corredores onde de novo se viam movimentos nos quadros, que ganhavam vida. A seu lado seguiam Ginny, Ron, Hagrid e Hermione; um pouco mais atrás seguia Macdonagall, a sua expressão demonstrava a curiosidade esbatida no peso da idade. Kingsley e Neville caminhavam lado a lado em silêncio; Demorou apenas alguns segundos para que todos se apercebessem para onda Harry os dirigia…pararam junto à gárgula que em tempos havia guardado o gabinete de Dumbledore. Ingenuamente Harry tentou ultrapassar a fenda na parede de tijolos brancos que se escondia atrás da gárgula. A fenda fechou-se completamente cortando a entrada a Harry que pareceu surpreendido; Foi Hermione que explicou a situação:
– Como a magia voltou já não podemos entrar sem o consentimento dos guardiães das salas.
– Queres dizer que existe uma senha? – Perguntou de imediato Neville.
– Sim – respondeu Hermione
Harry deu alguns passos atrás, da sua face transparecia que algo o atormentava.
– Então existe uma senha…mas quem poderá ter colocado essa senha, se nós somos os primeiros a vir aqui, depois de a magia voltar?
Ninguém conseguiu dar resposta à pergunta de Harry. Este empunhou a sua varinha e pediu a todos que fizessem o mesmo. A tensão estava no ar. E se Voldemort já tivesse tido tempo para ali ter chegado? Harry, de varinha empunhada, começou a debitar palavras sem sentido, esperando que alguma delas fosse a senha, mas após alguns minutos ainda nada tinha acontecido, a gárgula não se havia movido.
– Teremos de entrar à força, preparem-se, pois podemos encontrar do outro lado uma grande surpresa, preparem-se para lutar;
Harry apontou a sua varinha em direcção da gárgula, os outros fizeram o mesmo, e até Hagrid empunhava o que parecia ser um velho pedaço do que um dia fora uma varinha; Prepararam-se para lançar os seus feitiços, esperando que dentro de segundos pudessem entrar no gabinete e finalmente desvendar o mistério que se fazia sentir. Gotas de suor humedeciam a testa de Harry, o coração batia descompassadamente no seu peito. O momento da libertação dos feitiços havia chegado…mas de súbito um grito cortou o ambiente:
– NÃO….
Harry havia baixado a sua varinha, todos se perguntavam o que o havia levado a gritar…uma voz ecoou na sua cabeça, tão forte, tão nítida “ pensei que adivinharias a senha Harry…” a voz de Dumbledore ribombava no seu espírito “já uma vez o fizeste…lembra-te Harry, recorda”…
Harry virou-se para todos eles, ninguém percebia o que se passava, a sua mente recordava uma vez em que tinha estado precisamente ali e em que tinha tentado e conseguido adivinhar a senha de Dumbledore, sorriu…os seus lábios pronunciaram:
– Cacho de baratas!
A gárgula ganhou vida, desviou-se para o lado, deixando finalmente a descoberto a fenda na parede. Passaram por ela um a um. Encontravam-se agora na base de uma escadaria de pedra branca polida, magnifica. A escadaria apresentava-se em espiral, movia-se ligeiramente para cima enquanto as portas se fechavam atrás deles, cobrindo de novo a fenda. Chegaram a uma porta sublime feita do mais puro carvalho. Havia uma maçaneta de metal. Harry rodou a maçaneta, entraram…embora houvessem esperado encontrar uma sala com um ambiente pesado de abandono, aquilo que encontraram fez com que todos emitissem expressões de espanto. A sala circular respirava magia, parecia imersa numa luz fantástica, objectos maravilhosos estavam dispostos nos seus antigos lugares. Uma lareira dava abrigo a um fogo quente, de chamas profundas. Nas paredes os retratos dos antigos directores de Hogwarts apresentavam algumas caras sorridentes; a espada dos Griffyndor, com o punho cravejado de enormes rubis, encontrava-se em cima de uma pequena mesa, a seu lado estava o esfarrapado e remendado chapéu pensador. Ouviu-se um canto mágico, todos os olhares se viraram para um poleiro dourado que se encontrava à esquerda da mesa; lágrimas escorriam nas faces de Hagrid e Macdonagall, Kingsley e Neville estavam boquiabertos. Os outros observavam em silêncio…Uma Fénix magnífica, de plumagem escarlate e dourada, encontrava-se em cima do poleiro: Fawkes tinha voltado!
A professora Macdonagall chorava, prostrada em frente de Fawkes, balbuciando palavras como “que desgraça, ele voltou e assim também os fieis a Dumbledrore voltaram”. Mas parecia ser a única que havia percebido o que realmente se passava. O espanto havia-se apoderado dos restantes, e apenas um quarteto sabia verdadeiramente tudo o que se passava. Foi Harry quem tomou a iniciativa. Sentia o espírito do seu mestre a cada momento que passava, ele estava presente, não fisicamente mas estava ali com eles, abraçando-os com o seu amor, trazendo-lhes esperança.
– Aquilo que tenho para vos dizer é grave, mas é a verdade…
Quando Harry terminou ninguém falou. Kingsley apresentava um ar assustado, Hagrid estava incrédulo, Macdonagall já não chorava, sentia o espírito do seu querido amigo, sentia a gravidade da situação, teria de ser feito algo. Hagrid olhava o retrato de Dumbledore, que lhes sorria;
– Temos então de encontrar o corpo de Dumbledore não é Potter? Só assim ele poderá voltar… – proferiu Macdonagall.
– Sim, foi o que Dumbledore me disse.
– Mas como poderemos nós saber onde está o corpo? Não temos nenhuma pista, nada…
O desânimo apoderou-se de todos eles. Entranharam-se nos seus pensamentos, cada um tentando descobrir uma forma de procurar o corpo desaparecido. E foi quando a esperança começou a definhar que uma voz se fez ouvir no ar:
– A esperança nunca pode morrer nos vossos corações meus fiéis amigos; Tenham esperança, acreditem e conseguirão!
Todos os rostos se iluminaram, Dumbledore falava com eles, a esperança reavivou-se. Fawkes voou do seu poleiro e pousou graciosamente no ombro de Harry Potter. Era como se lhe sorrisse, como se lhe garantisse que tudo correria bem. Sentiu-se inchar com esperança e coragem, tudo correria bem. E assim Fawkes voltou a voar, atravessando a sala circular e saindo pela sua porta. Harry voltou-se para eles.
– Vamos, sigamos Fawkes. Tenhamos esperança.
E todos seguiram o voou da Fénix pelo castelo. Atravessaram escadas e corredores, incessantemente sem nunca parar. Atravessaram portas, por vezes algumas paredes se foram abrindo para que a Fénix passasse. No ar sentiam-se os tons de uma melodia fenomenal. Cheirava a esperança por todo o castelo. Quando perceberam o quanto haviam já caminhado aperceberam-se também que não conheciam aquela parte do Castelo, nunca haviam ali estado. Entraram num corredor comprido. As paredes eram feitas de prata reluzente. Uma luz brilhava no fundo, ofuscante. Era como se os chamasse. E a Fénix voou para lá da luz. Não era natural, era como se fosse feita de substâncias líquidas e ao mesmo tempo gasosas, de um prateado brilhante, era como se fossem nuvens que brilhavam. Era uma porta! Envolvia o líquido uma espécie de madeira negra, delimitando-o. Por cima via-se uma inscrição, gravada profundamente na madeira. “Apenas os puros e os justos poderão entrar…para que a fonte da magia jamais possa secar… o escolhido a todos irá guiar, quando a decisão final chegar”
Harry estendeu a mão, deixando-a passar a luz, tentando agarrá-la. Mas ela esfumou-se por entre os seus dedos. Harry sorriu. Deu um passo em frente e desapareceu na luz. Os outros seguiram os seus passos até deixarem o corredor secreto de novo deserto. A luz esfumou-se, e agora apenas uma porta de madeira imperava no escuro corredor.
Uma luz mágica invadia o ambiente, o branco dominava. Parecia não haver céu, parecia não existir chão. Tudo se alongava num interminável branco celestial. A entrada de Harry e de todos os outros cortou o ambiente, impedindo o branco de reinar. De súbito brumas de várias cores inundaram a sala. Não demorou muito para que todos se vissem rodeados por estas bizarras brumas amarelas, verdes, azuis e vermelhas, de cheiros fortes e diversos. As brumas foram crescendo até inundarem tudo o que se via, preenchendo todos os espaços. Sentiram-se perdidos, mas o medo não se apoderou deles, permaneceram quietos durante alguns momentos em que experimentaram uma forte dificuldade em respirar, tal como um ardor enorme nos olhos que se foram fechando até à escuridão total. Quando todos conseguiram abrir os olhos as brumas tinham desaparecido. A sala não era a mesma que haviam encontrado! Estavam agora entre quatro paredes de pedra polida, de tons amarelados; A sala era quadrada e nada mais a ornamentava a não ser uma mesa de pedra branca ao centro onde se via um corpo de longas barbas brancas que ostentava vestes de cor púrpura. Uns óculos escondiam os seus brilhantes olhos azuis. Os seus braços estavam cruzados segurando um ceptro impregnado de runas indecifráveis que parecia muito antigo.
– Dumbledore! – Gritou Hagrid que se prostrou de joelhos enquanto soluçava, sendo imitado por Macdonagall, Ginny e Neville; Harry, Ron, Kingsley e Hermione permaneceram nos seus lugares, não choravam pois os sorrisos tinham-se alastrado pelos seus espíritos.
O corpo de Albus Dumbledore descansava sobre a magnífica mesa de pedra; a sua expressão parecia ser de serenidade.
Durante alguns minutos nada aconteceu, estavam todos em silêncio em volta do corpo do mestre. Como havia o corpo chegado ali? Era a pergunta que a todos assolava.
Uma melodia principiou no ar, Fawkes empreendeu um pequeno voou sobre o corpo de Dumbledore, lágrimas mágicas iam caindo dos seus olhos, desciam pelo ar até caírem sobre o corpo. Uns olhos abriram. Pequenos movimentos tímidos podiam ser percebidos: primeiro os dedos…depois as mãos…finalmente um sorriso que rasgou a face do maior feiticeiro de todos os tempos: Albus Dumbledore estava vivo!!!
O mestre levantou-se, os seus olhos estavam marejados de lágrimas, olhou Harry e abraçou-o longamente. Depois fez o mesmo com todos os outros, demorando-se um pouco mais com Hagrid e Macdonagall; Parecia impossível mas era verdade. Com a ajuda de Fawkes haviam encontrado o seu corpo, permitindo assim que o espírito de Dumbledore o voltasse a preencher. O momento era de pura alegria. Mas a pouco e pouco o ambiente foi-se desvanecendo, pois todos sabiam que não fora apenas Dumbledore quem regressara. Por esta altura também Voldemort podia já ter encontrado um corpo que não o rejeitasse como o corpo de Albus Dumbledore o havia feito. E o terror voltaria de novo. Por isso a expressão de Dumbledore se apresentava tão séria quando se dirigiu a todos eles, a sua voz acusava um tom de nervosismo misturado com receio:
– O que tenho para vos contar é longo e o tempo urge. A situação é grave; Aquilo por que passei nestes anos da minha ausência permitiram-me recolher informação importante, bem como descobrir a fundo a história que passou a mito, que por sua vez passou a lenda e que por fim deu origem ao mais puro esquecimento do mundo mágico. Como podemos nós permitir-nos a tal erro? Não consigo responder a esta questão, por mais que pense nela – todos bebiam as palavras de Dumbledore em silêncio. – Quero contar-vos tudo meus amigos, e como todas as histórias têm um princípio é por lá que iremos começar. – Dumbledore levantou nos braços o ceptro, bem acima da cabeça., e proferiu algumas palavras. O ar ficou mais pesado, era difícil respirar, do ceptro surgiu uma luz tão brilhante que obrigou todos a fecharem os olhos. Uma sensação de aperto surgiu, era quase insuportável, parecia-lhes que se deslocavam a grande velocidade, como se caíssem de um grande precipício. Não ousaram abrir os olhos, já não aguentavam mais quando de súbito tudo passou.
– Já podemos abrir os olhos! – Exclamou Dumbledore.
Todos o fizeram e perceberam que se encontravam no que parecia ser uma reunião. O edifício em que estavam parecia não ter tecto, de tão alto que era. Janelas vidradas filtravam a luz que escasseava. O ambiente era soturno, dispostos em centenas de filas encontravam-se várias centenas de muggles que ouviam em silêncio um muggle vestido com uma longa veste branca ornamentada com uma cruz vermelha no peito. Do seu pequeno pescoço pendia um colar que revelava uma nova cruz, esta de ouro.
– É uma missa! – Exclamou Hermione que logo receou ter sido ouvida; olhou para as pessoas e esperou suspensa em silêncio, mas a cerimónia decorreu sem parecer que a tivessem ouvido. Hermione suspirou de alívio. Estavam numa memória. Dumbledore sorriu, tinha recolhido algumas memórias no mundo espiritual em que ficara preso após a fatídica noite na torre de Hogwarts.
– Estamos no ano 1154 numa Igreja Inglesa – começou por explicar Dumbledore- O clérigo que procede à cerimónia apresenta-se pelo nome de John de Salisbury . Foi aqui que tudo começou! Ouçam bem meus amigos pois aquilo que vão ouvir mudou para sempre o nosso destino enquanto feiticeiros, mudou para sempre o nosso mundo!
O clérigo levantou-se do seu trono de bela madeira forrada a talha de ouro e todas as pessoas se levantaram para ouvir as suas palavras. Harry olhava fixamente para aquela pequena figura gorda, de faces rosadas cobertas de suor, a voz deste ser atarracado ribombou pela Igreja : “Quem poderá ser tão cego ao ponto de não ver em tudo isto uma pura manifestação de maldade criada por demónios que pretendem estabelecer a confusão? Estes Homens e mulheres estão ligados ao Diabo, são seus servos, vivem para servir o demónio, para voar nas horas mortas da noite e devorar bebés, para comungar com o diabo em lugares selvagens e inóspitos…” ; O discurso continuava ainda quando Dumbledore os olhou, fazendo sinal que a visita a esta memória havia terminado. As imagens da Igreja começaram a esfumar-se e novamente a mesma sensação de aperto e a luz brilhante os assaltou, levando-os de novo à beira do desespero. Quando terminou demorou alguns minutos para que todos pudessem recuperar as forças. Harry foi o primeiro a abrir os olhos. Encontravam-se agora num edifício bem mais pequeno, a madeira imperava, em tons ora mais claros ora mais escuros. Algumas filas de cadeiras estavam dispostas viradas para uma grande secretária onde um Muggle vestido com uma toga negra se encontrava, segurando um martelo de madeira escura e polida. Em frente da grande secretária estava uma mulher completamente amarrada por correntes a uma feia cadeira de ferro. Estavam num tribunal Muggle! Dumbledore falou de novo:
– Assistimos agora às primeiras consequências das palavras que ouvimos o Clérigo proferir. Estamos num Tribunal Irlandês no ano de 1314 e assistimos ao julgamento de Lady Alice Kyteler, uma feiticeira. Julgamentos semelhantes ocorriam neste tempo por todo o lado: Espanha, Portugal, Reino Unido, Alemanha, Suiça…e a lista continua sem parar.
O Juiz bateu três vezes com o martelo na secretária. O silêncio reinava na sala. “Lady Alice Kyteler, o tribunal considera-a culpada dos crimes graves de bruxaria e associação ao Diabo. O tribunal condena-a à morte na fogueira pública…”; A imagem começou a desaparecer e todos se prepararam para uma nova ronda de esforço enquanto evoluíam para mais uma memória. Estavam agora numa sala majestosa, coberta a ouro e prata reluzente. Um Homem alto de pele muito branca com uma coroa de diamantes e vestes preciosas de cor branca com uma cruz de esmeraldas no peito estava sentado numa linda mesa de mogno brilhante. Escrevia com uma preciosa pena de ganso numa folha de papiro grosso.
– Aproximem-se. – Pediu Dumbledore enquanto se inclinava para ler o que o Homem escrevia. Todos fizeram o que ele pediu; de onde se encontravam podia ler-se as palavras que a pena de ganso havia desenhado. O título era “Summis Desiderantes Affectibus”. Leram algumas palavras até que perceberam o motivo daquele escrito. Era sobre a comunidade dos feiticeiros: “ chegou recentemente ao nosso conhecimento, não sem que experimentássemos profunda dor, que muitas pessoas de ambos os sexos, indiferentes ao caminho da salvação, se desviaram da fé católica, abusaram de si mesmas com diabos e através de encantamentos, feitiçarias, conjuros e outras mágicas horrívei, destroem o fruto do caminho do senhor, assim Henrich Institutor e Jakob Sprenger serão delegados como inquisidores destas depravações heréticas”; A assinatura era do Papa Inocêncio VIII e decorria o ano de 1484. Subitamente Hermione levou a mão à sua testa e proferiu:
– A lendária caça às Bruxas…o motivo pelo qual o mundo dos feiticeiros é mantido em segredo dos Muggles! Agora percebo…- Mas não conseguiu terminar a frase pois de novo foram levados para uma nova memória. Olhavam agora um enorme livro de capa de couro negro com o título impregnado na capa.
– O Malleus Maleficarum!!! – Exclamou Hermione, horrorizada.
– Muito bem Hermione, a tua inteligência é ímpar. Mas pelo que vejo apenas para Hermione e para a minha amiga de longa data, Macdonagall, este livro significa algo… Hermione – chamou Dumbledore.
– Sim Professor.
– Importas-te de explicar o que significa este livro?
– Claro que não Professor. – Hermione respirou fundo, fazendo uma pausa antes de começar a sua explicação – O Malleus Maleficarum foi escrito pelos dois homens nomeados inquisidores pelo papa Inocêncio VIII. É um terrível livro que causou mais sofrimento que qualquer outro livro jamais escrito. O seu objectivo era a aniquilação dos feiticeiros e feiticeiras que partilhavam o mundo dos Muggles. A primeira parte descreve as condições necessárias para a prática da bruxaria e refuta sistematicamente os argumentos contra a sua realidade. A segunda parte trata dos métodos pelos quais as obras de bruxaria são executadas e dirigidas e como podem ser anuladas. A terceira e última parte é referente aos processos judiciais contra os feiticeiros, as formas de identificação, acusação, julgamento, tortura, condenação e sentença desses infelizes. É claro que os Muggles estavam errados e agiram sob pressupostos errados, mas originou a morte de mais de 200 mil feiticeiros e a tortura de outros tantos milhares.
– Tu…Tu leste esse livro Hermione? – Perguntou Ron, que estava aterrorizado.
– Sim, mas não foi fácil…- Também Hermione parecia abatida. Dumbledore interveio:
– Obrigado Hermione, as tuas palavras foram…bem…hum…elucidativas. Mas temos ainda mais uma memória para observar, e a mais importante de todas elas.
Abriram os olhos, numa sala escura sem janelas, iluminada apenas por algumas velas surgia uma enorme mesa redonda de pedra. No seu tampo apareciam algumas runas semelhantes às encontradas no ceptro que Dumbledore carregava. Uma reunião tomava lugar naquela mesa. Algumas dezenas de feiticeiros de cara assustada e espíritos delapidados discutam a melhor forma de resolver a situação que tinha avançado sobre o mundo dos feiticeiros. “Não podemos continuar mais assim…temos de tomar o poder, fazer-lhes a eles o que eles nos fizeram a nós, vingar-mos os nossos semelhantes, os nossos amigos”… Salazar Slytherin tentava convencer os seus interlocutores a agir, a tomar uma acção drástica. Harry reconheceu Slytherin instantaneamente, apesar de não saber bem porquê. Sentiu o seu estômago revoltar-se, uma vontade enorme de o atacar…alguns dos feiticeiros pareciam apoiar Slytherin, mas uma voz ecoou em protesto “Não! Não seremos nós melhores que eles? Não apregoamos nós a injustiça do que nos acontece? Então porque haveríamos de proceder às mesmas acções hediondas? A nossa única hipótese é esconder o nosso mundo, podemos viver isolados do mundo dos Muggles, talvez um dia quando eles conseguirem compreender nós possamos juntar de novo os mundos, esse dia chegará se nos nossos corações ainda viver essa esperança”…a voz de Godric Gryffindor ressoou no espírito de Harry que de súbito se acalmou. “Proponho que se faça a votação” continuou Gryffindor. Apenas alguns feiticeiros ficaram do lado de Slytherin, todos os outros votaram a favor das palavras de Godric Gryffindor. E assim ficou decidido, na data de 1670 que os feiticeiros esconderiam o seu mundo, que construiriam escolas de magia e feitiçaria para que se pudesse ensinar as mentes mais jovens. Mas as decisões não ficaram por aqui! Já todos se encontravam prontos para que a memória terminasse, contudo Albus Dumbledore sorriu-lhes, mostrando assim que ainda havia mais. De repente ouviu-se um grande estrondo, a pesada e enorme porta da sala tinha caído, estatelando-se com toda a força no chão. No lado de fora encontrava-se uma jovem feiticeira, os seus olhos estavam completamente brancos, Harry e todos eles viram os pés da feiticeira levitarem do chão, ficando suspensa no ar. A sua voz ribombou por toda a sala: “ A magia será tomada pelo mal quando este desesperar, será sua sem ele esperar…o mal perecerá mas a magia com ele desaparecerá…e o escolhido tal testemunhará, dois da morte irão regressar…a escola reabrirá e ele recolherá os quatro artefactos…com as chaves da fonte pura entrará na fonte e a todos irá guiar, quando a decisão final chegar” … O corpo da feiticeira caiu inerte no chão da sala. O sopro da vida havia-a abandonado. A visão dissolveu-se no ar e de novo se encontraram na sala onde Dumbledore havia ganho nova vida. Fawkes ainda cantava a sua doce melodia. Dumbledore dirigiu-se a todos eles:
– Bem, agora estão todos em condição de perceber o que realmente se passa. Desconfio que a profecia da jovem feiticeira se tornou realidade e o mal realmente tomou a magia, Tom Ridlle criou um laço inextrincável com a magia, como o fez ainda não o sei, mas a partir do momento da sua morte a magia começou a desaparecer. Dois regressaram da morte, eu e Tom. Penso que quando a profecia refere o escolhido se refere a Harry, que testemunhou tudo. E tudo se deve aos acontecimentos horríveis que testemunhámos, pois apenas devido aos actos hediondos que foram cometidos, contra nós feiticeiros, foi tomada a decisão de esconder o mundo da magia e de para isso serem criados quatro artefactos que apenas pensei serem lendas…quatro artefactos que levarão à fonte da magia, quatro artefactos que trarão o poder absoluto a quem os possuir, que poderão levar a que a magia pertença apenas ao possuidor dos artefactos. Tom Ridlle quer esses artefactos e vai procurá-los. Perceberam do que nos fala a profecia?
– Dos últimos dias da magia, de uma escolha que poderá mudar o nosso mundo para sempre! – Respondeu Hermione de pronto, a sua voz denotava a gravidade da situação.
– Sim Hermione; Certa como sempre. Temos de seguir a profecia, temos de encontrar os artefactos antes que cheguem às mãos erradas, antes que a vingança de Salazar Slytherin se faça mostrar pela força do seu seguidor. Os dois mundos estão em jogo, não podemos falhar!
– Mas como poderemos recolher os artefactos se não sabemos o que são? – Perguntou Harry. Dumbledore esticou os braços e mostrou o ceptro:
– Este é um dos artefactos. Uma das chaves que trancou a fonte da magia para separar os dois mundos. Sei que quatro escolas de feitiçaria e Bruxaria foram criadas e que ao mesmo tempo que foram criados os artefactos. Este ceptro estava aqui nesta sala desconhecida de Hogwarts, uma sala que apenas o escolhido poderia abrir, uma sala com uma guardiã inesperada: Fawkes! E foi esta espantosa criatura que trouxe o meu corpo para esta sala e que a todos guiou. Mas agora precisamos de um novo guia. – Dumbledore olhava para Harry – Penso que os restantes artefactos estarão escondidos em salas secretas nas demais escolas. Conto com todos vós para que sejamos sucedidos nesta nova missão que se nos depara.
– Hogwarts abrirá de novo, e o seu velho mestre voltará a dirigi-la. Não existe ninguém melhor para o fazer.
– Obrigado Kingsley, é muito amável da tua parte.
– E mais, todos os feiticeiros serão chamados de novo para ocupar as suas casas, os seus negócios, Gringotts voltará a funcionar, tudo será como dantes!
– Sim, mas o medo voltará. A felicidade não nos chega sem a tristeza nos assolar; Mas as tuas palavras estão certas Kingsley, por agora é o melhor a fazer, depois uma demanda em busca das chaves da fonte da magia começará! – Concluiu Dumbledore.

Roberto Mendes

A criatura disforme esperou durante algum tempo, observando atentamente o recorte do Castelo no Horizonte. Mas atentava especialmente no lago que surgia imaculado plantado num denso relvado. Nas suas águas escuras estava reflectido um túmulo branco de mármore; Algumas pessoas já tinham chegado ao Castelo e ele conhecia todas, oh sim, conhecia todas muito bem… não esperou mais, era tempo! Abandonou a floresta descendo até ao lago, um estranho frio acompanhava-o, varrendo o ar quente que se fazia sentir. Chegou finalmente ao seu destino, olhou o túmulo. Recordou a ultima vez que ali tinha estado e recordou o que sentira: uma euforia controlada, sensação inebriante de finalidade destrutiva. Como ansiava de novo por esse tipo de sensação, como desejava um novo poder, um poder supremo. Estava perto, tão perto. Perfurou o túmulo, e ali estava Dumbledore, o seu rosto já desgastado pelo tempo, mas preservado quase na íntegra. Os óculos adornavam o seu nariz adunco. As suas mãos continuavam cruzadas sobre o peito; Se Dumbledore pudesse saber, sentir que havia salvo o seu maior inimigo, sentir que o seu plano falhara, que ele, Lord Voldemort, o iludira! Deitou toda a sua forma de espectro naquele corpo, teria de correr tudo bem, um pouco de intensidade a mais deitaria tudo a perder. Concentrou-se e chamou a si todo o seu poder, agora tão ínfimo, tão limitado… Um clarão surgiu ofuscante mas logo foi engolido por uma escuridão profunda…um som agudo soou, mas no castelo ninguém ouviu.

O som emanado do motor da grande mota não tardou a irromper pelo Castelo fazendo com que muitas cabeças se voltassem, em procura do local de proveniência desse estranho barulho. Harry e Ron abriram caminho por onde, num passado tão presente, haviam conduzido um carro voador. De súbito a mota estancou e o motor parou de soar. Harry e Ron desceram, visivelmente cansados e com os músculos mal tratados devido à dureza não habitual da viagem. Há algum tempo atrás teriam sido utilizados outros meios para viajar, mas agora…não havia mesmo mais nada a fazer!
Dispersas por quase todo o Castelo estavam as mais variadas pessoas, quase todos em silêncio enquanto vagueavam de um lugar para o outro; Sim, o silêncio reinava, apenas alguns grupos de duas ou três pessoas falavam, mas não animadamente. As recordações atingiam todos, desde os mais velhos aos mais novos. Alguns tinham passado ali os melhores e piores momento das suas vidas, à muito tempo atrás, outros estudavam ali apenas há alguns anos; Harry reparou num pequeno grupo de miúdos que se encontravam sentados na relva, tinham feito parte dos alunos do primeiro ano, aqueles apenas ali tinham estado alguns meses, uma dúvida assaltou o seu espírito: seria possível que este pequeno grupo não voltasse a sentir a pura magia de Hogwarts, que não pudessem descobrir os recantos, os segredos do Castelo? Talvez tivessem sido quem menos tinha sofrido com a mudança, pois não haviam criado ainda tantos laços quanto os alunos mais velhos, contudo tinha-lhes sido vedada a possibilidade de os criar… E Harry lembrou-se subitamente: “ Enquanto houver alguém que lhe seja fiel, Hogwarts nunca fechará, Dumbledore nunca desaparecerá”, no seu pensamento surgiam agora imagens maravilhosas de momentos passados com o seu mentor, com a pessoa mais extraordinária que o mundo mágico havia conhecido. Olhou para Ron que exibia uma cara ausente, a melancolia estampada no rosto, algumas lágrimas escorriam dos seus olhos. Então Harry reparou que também chorava; Sentiu-se um pouco exposto e envergonhado. Limpou as lágrimas com esforço e bateu amigavelmente nas costas de Ron quando este fez o mesmo. Depois avançaram pelo relvado do Castelo, decididos a encontrar as suas famílias.
Não necessitaram de muitos minutos para descobrir Ginny, Hermione e os pequenos. Tinham combinado encontrar-se no salão. As portas do castelo estavam abertas, no primeiro hall passaram por algumas famílias a quem ofereceram um bom dia, recebendo em troca o mesmo cumprimento. Harry era agora uma pessoa normal, as pessoas já não o perscrutavam como acontecia no passado; isso fê-lo sentir-se bem. As portas do salão estavam abertas de par em par, entraram. Parecia ainda mais enorme que o que fora em tempos, talvez devido à ausência do tecto magico, que naquele dia certamente imitaria um céu azul claro, que transmitiria paz. Agora via-se o seu verdadeiro tecto, muito mais alto do que o que imaginara em tempos. Lembrou-se da primeira vez que ali entrara, recordou o seu fascínio por aquele lugar fantástico, iluminado por milhares de candeias que tombavam do ar, sobre quatro grandes mesas na qual se dividiam quatro grandes equipas. Lembrou as mesas que apresentavam pratos e taças de ouro e também a comprida mesa que estava no topo do salão onde se alinhavam os professores. E foi também nesse dia que pela primeira vez viu Dumbledore. Agora as mesas estavam dispostas como dessa primeira vez, contudo nada estava em cima delas e o ambiente era frio. Hermione e Ginny estavam sentadas frente a frente na mesa que pertencera aos Griffyndor. James estava um pouco distante e falava com alguns dos colegas do seu ano. Mais perto estavam Rose, Albus e um miúdo de cabelo louro que Harry identificou como sendo Scorpious.
– Quem diria que existiria um dia um grupo de amigos assim… um Potter, um Weasley e um Malfoy. – Disse Ron demasiado alto, pois os miúdos ouviram levando Scorpious a ficar um pouco constrangido. Rose lançou um olhar mortífero a seu Pai que corou, um pouco envergonhado;
– Sim; É sinal que tudo mudou, que tudo está bem! – Respondeu Harry, sorrindo; Mas estaria mesmo tudo bem? Fez um esforço por não tocar na cicatriz; Aproximaram-se da mesa e sentaram-se ruidosamente. Ginny olhou Harry, nos seus olhos estavam estampados a preocupação e a duvida. Harry rejeitou esse olhar com um sorriso determinado, que levou Ginny a sentir-se melhor, mais descansada. Decorridoas alguns minutos Albus chamou insistentemente a sua mãe; aparentemente queria mostrar-lhe algo que achava uma tremenda piada; Ginny levantou-se, depois de Albus lhe ter puxado o braço algumas vezes; Estavam então de novo os três juntos, Harry, Hermione e Ron. A princípio ninguém disse nada, uma qualidade entre verdadeiros amigos, não necessitar de palavras para se compreenderem; Foi Hermione que cortou o silêncio.
– Conseguiram terminar o que tinham de fazer? Já têm todas as informações?
– Sim. – Respondeu Ron;
– Já têm mais alguma ideia?
– Não; – respondeu desta vez Harry deixando transparecer um ar de desânimo;
– Eu também não; Terminei ontem já de madrugada de ler mais uma dezena de livros e não existe nenhuma referência a algum tipo de desaparecimento da magia. Penso que estamos realmente diante de um problema completamente novo; – Disse Hermione visivelmente perturbada pelo teor das suas conclusões.
– Vamos chegar à resposta – atirou Harry!
– Sim, não se lembram de tudo o que passámos? Sempre nos safámos; contando com a nossa amizade, com a coragem do Harry, o cérebro da Hermione e, bem…comigo! – Exclamou Ron, com um sorriso gigante; Harry e Hermione riram, desta vez com vontade e de forma bem audível. Estavam juntos, o que poderia correr mal?
Um sino soou, de uma forma distante, mas de alguma maneira bastante presente; Era tempo do começo da cerimónia. Levantaram-se rapidamente, Ginny e os miúdos juntaram-se a eles e todos juntos abandonaram o salão, com um último olhar de pura melancolia.
Quando deixaram as portas do castelo o sol iluminava o cenário com uma luz quente. Era curioso que tanto agora como no passado, no dia do Funeral, o tempo parecia zombar da situação, aparecendo no seu mais profundo esplendor de beleza; Tal como acontecera à tanto tempo atrás, tinham sido colocadas cadeiras no relvado, dispostas em filas e divididas ao meio por uma coxia. Na frente, via-se um túmulo de mármore para o qual se viravam as cadeiras. Ao lado surgia o lago, com a sua tonalidade espelhada. Harry viu o aglomerado de pessoas que se havia juntado ali. Quase todos os feiticeiros se encontravam lá; Reconheceu quase todos os rostos, pareciam apenas faltar as caras que não tinham sobrevivido à batalha final…Moody, Fred, Dobby…revisitou todos os que haviam perecido. Chegou à primeira fila, Kingsley apertou-lhe respeitosamente a mão, era agora Ministro da Magia tendo Percy como seu braço direito; Percy estava ali, realmente ao seu lado direito. Hagrid também; Deu-lhe um valente abraço seguindo o mesmo gesto para com todos. Estava visivelmente emocionado, balbuciava algumas palavras:
-Grande homem, Dumbledore…Grande Homem…

Encontraram algumas cadeiras livres e todos se sentaram menos Harry. Este deu alguns passos decididos em frente e depressa se encontrou diante do imaculado túmulo branco que um dia, há muito tempo atrás, tinha envolvido uma mesa de mármore onde o corpo de Dumbledore descansava, sereno. E recordou o seu mestre, o seu amigo, o seu mentor! Uma pessoa extraordinária, um feiticeiro genial, inigualável. Lembrou a profunda tristeza que o havia assolado na fatídica noite na torre e sentiu-se triste. Olhou cabisbaixo para o ultimo lugar de repouso do feiticeiro que estava prestes a deixar de o ser, prestes a ser violado pela segunda vez! Virou costas ao túmulo olhando a multidão. Os centauros estavam lá, prestando a sua homenagem, bem como as criaturas do lago repetindo o gesto do passado. Sabia que teria de dizer algumas palavras, não tinha um discurso preparado, não era bom nessas coisas. Pensou numa frase que Dumbledore lhe havia dito uma vez…fechou os olhos…
– A morte é uma chama que se move internamente numa ágil dança de luz profunda, não é o fim, é apenas uma transição…a morte é a próxima grande aventura! – As palavras ressoaram pelo tempo, repletas de intensidade e emoção ecoaram por todo o castelo até se extinguirem… Harry abriu os olhos, uma lágrima escapara-se, descia agora o seu rosto. Hagrid chorava copiosamente, todos se encontravam emocionados… mas era tempo! Um pequeno grupo chegou à frente e os preparativos começaram. Como não podiam recorrer à magia fora decidido que o mármore seria cortado e o túmulo seria depois transferido para um lugar nos limiares de Londres. Aí seria transportado através da magia e colocado na sua nova localização.
Trinta minutos esgotaram-se sem que nenhum progresso fosse alcançado pois a pedra parecia simplesmente não querer ser cortada, nem um arranhão permitia na sua perfeição. Outros trinta minutos passaram, o sol foi descendo nos céus. Nada, nem um pequeno corte. Harry juntou-se então ao grupo que estava a trabalhar no túmulo. Era impossível, simplesmente impossível cortar aquela pedra. A decisão do procedimento seguinte cabia a Harry; não tinha muitas hipóteses… pensou um pouco mas sabia que a única conclusão a que poderia chegar era aquela que mais o repugnava. Não poderia ser transferido o túmulo. Teria de ser transferido apenas o corpo!
Harry olhava atentamente enquanto dois feiticeiros abriam uma porta que estava encrostada magnificamente no mármore. Ron, Hermione e Ginny estavam a seu lado. A porta foi aberta lentamente, pareceu uma eternidade….finalmente abriu…e um grito sobre-humano foi lançado no ar, de seguida um som de explosão cortou o ambiente e chamas intensas surgiram em volta de todos eles. A cicatriz de Harry latejou, primeiro de uma forma quase imperceptível, depois mais intensamente até que ele já não conseguia aguentar. Prostrado de joelhos Harry gritou…mas a dor cessou subitamente. Sentiu o se corpo a ser sugado para o interior do tumulo por uma força magica. Não teve tempo para reagir. Caiu no túmulo como havia um dia caído no interior de um diário.
Não sabia onde se encontrava; o sítio era escuro e sentia-se como se o seu corpo e alma não pertencessem àquele lugar. Uma melodia triste enchia o ambiente, falava de dor e perda de uma forma tão intensa que apenas poderia ser, sim, era…tinha de ser…era um canto de uma Fénix! Os seus olhos habituaram-se um pouco à escuridão, e depressa descobriu que se semicerrasse os olhos conseguia distinguir algumas coisas; Mas o que viu foi aterrador. Sentado contra uma parede imunda estava um velho. Sangue escorria de quase todo o seu corpo formando poças lodosas num chão cravado de sujidade. A sua cabeça estava semi escondida pela profunda escuridão. Harry conseguiu distinguir um longo cabelo branco pérola que era acompanhado por uma longa barba, também de cor branca. Distinguiu uma fraca tonalidade azul na cara do velho. E reconheceu assim os seus olhos, um azul inesquecível! Estava tão mal tratado que Harry temeu que não se encontrasse vivo. Mas uma voz surgiu, clara, distinta, poderosa:
– Olá Harry…-fez uma pausa;
– Dumbledore!!! – Gritou Harry a plenos pulmões.
– Sim Harry, sou eu! – E com um sorriso do velho feiticeiro o ambiente ganhou uma nova luz…
Harry petrificou; Um crepúsculo denso inundava a sala e soprava um vento frio; não existia telhado, apenas as ruínas de quatro paredes…uma lua, no oeste, descia nos céus, brilhando espasmodicamente através das nuvens carregadas que se iam separando umas das outras. Acima do crepúsculo brilhavam estrelas frias, emitindo uma luz fantasmagórica. E Dumbledore estava ali, respirava, vivia! Harry não conseguia mexer-se; queria correr para o seu mestre, abraça-lo, curá-lo, mas o seu corpo recusava, determinantemente, qualquer movimento. E foi o velho feiticeiro quem quebrou o silêncio:
– Harry, não temos muito tempo; tenho tanto a explicar-te, mas de novo tanto que não sei explicar.
– Dumbledore…mas o senhor está morto… – Replicou Harry, absolutamente confuso;
– Oh Harry… – principiou Dumbledore fazendo uma pausa, respirando fundo; o seu corpo mutilado jazia no chão mas o seu porte era de excelência, de inquebrável classe – Será que estou mesmo morto? Será que sou apenas um pensamento, apenas um corpo, um pensamento sem corpo ou até um corpo sem pensamento? A questão é demasiado complexa para respostas simples, por isso se me perguntares se vivo a minha resposta será sim…e não! Pois aquilo que me prende à vida provém de um erro, oh…de um erro que pode ter consequências catastróficas Harry; um erro meu, apenas meu…grandes mentes tendem a fazer grandes erros Harry, oh…grandes erros.
– Dumbledore, por favor explique; onde estamos? E como pode estar vivo? – Respondeu Harry agora dirigindo-se, com passos cuidadosos, para o velho de cabelos e barba longos e prateados, de olhos de um azul intenso, escondidos atrás de óculos de meia-lua, um nariz adunco, o corpo despedaçado. O lamento da Fénix acompanhava o momento. Harry parou a escassos centímetros de Dumbledore, conseguia agora ouvir a sua respiração, longa e penosa.
– Sim, essas são as questões certas, meu rapaz – um sorriso rasgou a sua face, subitamente a sua condição pareceu melhorar, uma neblina luminosa envolvia agora os seus corpos; as brumas foram ganhando forma e a sala mudou de aparência, sete grandes pilares surgiam agora, imponentes, em pedra negra, formando um círculo. O chão revelou-se em mármore de um branco celestial. No centro um pilar negro erguia-se imponente, parecia coberto de sangue que escorria conspurcando o perfeito mármore. Por cima o céu coberto de radiantes estrelas, por baixo o mesmo céu…sim, encontravam-se num lugar suspenso nos céus; Harry olhou, abismado, era como se todo o infinito estivesse ao alcance apenas de um olhar; sentiu-se zonzo e recuou;
– É demais para um simples olhar não é?
Deu meia volta. Albus Dumbledore dirigia-se a ele com passos firmes e enérgicos, usando um lindo manto azul-escuro, o seu corpo totalmente recuperado, na sua face um sorriso rasgado.
– Como?…
– Hum, simples Harry. Não sabes onde estamos?
– Não!
– Hum… presumo que uma nossa querida amiga desconfiaria…mas claro que não são todos os que devoram os mais antigos e “pequenos” livros da história da magia. Sempre assumi que seria apenas uma lenda Harry, até que o encontrei, depois da morte mas ainda em vida…e que lugar magnífico…esta é a grande sala da magia!
– Sala da magia? – Inquiriu Harry, olhando à sua volta.
– Sim…basicamente este lugar não consiste propriamente num lugar…Harry, este lugar é a própria magia; Este lugar alimenta toda a magia que encontramos no nosso mundo, é a fonte da magia.
– A fonte?
– Sim Harry. Uma fonte em risco de secar… – As brumas voltaram poderosas…e com um som áspero de trovão a antiga sala banhada pela escuridão crepuscular ressurgiu. Harry sentiu a mão calma de Dumbledore no seu ombro, voltou-se, encarando-o de frente, percebendo nos seus olhos, percebendo agora o que acontecia…
– A fonte da magia está a secar – retomou Dumbledore – levando a que a magia se extinga do mundo Harry.
– Mas porque seca esta fonte? – Perguntou Harry exibindo um olhar desesperado.
– Tom Riddle. É esta a resposta para a tua pergunta.
– Voldemort? Mas como?
– Primeiro preciso perguntar-te se te recordas do que viste nesta sala, quando ela nos apareceu no seu esplendor?
– Sim, recordo sete pilares negros formando um círculo, ao centro um pilar que parecia coberto de sangue e um céu infinito.
– Muito bem Harry. Penso que aí reside a resposta a todas estas questões. Eu errei Harry, o meu plano falhou, algo que não tinha previsto aconteceu e o plano para destruir Tom não resultou. Apenas não consigo descobrir o quê Harry;
– Quer dizer que Voldemort regressou?
– Não Harry, quer dizer que Voldemort nunca desapareceu! Uma estranha ligação entre ele e a magia foi efectivada; Não percebo ainda como. Voldemort alimentou-se da magia proveniente desta mesma fonte; Era um simples bebé Harry, um simples bebé…e eu pensei que podia ajudar, pensei que o podia educar, ensinar. Soube que era ele Harry mas tentei o amor; recusei-me a exterminá-lo, propus-me a educá-lo. Mas de novo errei Harry.
– O bebé de King’s Cross…aquele bebé que chorava?
– Sim Harry; – respondeu Dumbledore sentindo o seu corpo tremer. – Esse bebé era Lord Voldemort e eu, erradamente, pensei estar morto e pensei que a minha missão seria educá-lo, para reverter o que falhara em vida, mas também falhei agora. Ele sugou a magia do mundo, alimentando-se dela…
– Por isso a magia desapareceu de Londres…- interrompeu abruptamente Harry:
-Sim! E agora ele ressurgiu, pleno de poder. Do silêncio da escuridão irrompeu um sussurro ténue, quase imperceptível. Começou num sopro leve que se avolumou na escuridão e que varreu a minha cara num ápice, afogando-me com os seus dedos gelados de morte. Lutámos, por fim, aqui neste mesmo sítio. E perdi Harry. Voldemort voltou, e com ele a magia voltou também.
Um som poderoso fez-se ouvir e de repente todas as estrelas desapareceram, o crepúsculo cessou, como se morresse. A escuridão total voltou. O canto da Fénix cessou.
– Rápido Harry, ele voltou…ele voltou. Tens de partir Harry… – vociferou Dumbledore, visivelmente assustado.
– Mas…não posso partir sozinho, recuso-me!
– Encontra o meu corpo Harry, apenas assim poderei voltar. Uma nova demanda pela paz é necessária meu rapaz pois o silêncio de sombras da morte voltou…encontra o meu corpo Harry… Dumbledore ergueu os braços no ar, viu-se uma Fénix a voar, com um movimento súbito Dumbledore juntou as palmas das mãos e tudo pareceu explodir enquanto o velho se fundia com a Fénix. As brumas voltaram, depois uma luz forte cegou Harry que gritou de dor…quando ousou reabrir os olhos encarava Ron, Hermione, Ginny e todos os outros; estava prostrado no chão de Hogwarts, Voldemort voltara, a paz já não reinava!
– Harry, Harry… – gritava Ginny enquanto o abraçava, tentando protegê-lo. Hermione, Ron e todos os outros olhavam Harry visivelmente preocupados, apreensivos, assustados. Não percebiam o que se passava. A abertura do túmulo trouxe a surpresa da inexistência do corpo de Dumbledore, Harry tinha gritado, tinha-se agarrado à sua cicatriz, depois tinha, por fim, desmaiado. Encontrava-se sem sentidos há alguns minutos. Todos os feiticeiros presentes se tinham colocado em volta de onde Harry tinha desmaiado e ali tinham permanecido, olhando e esperando que ele acordasse. E agora ele acordara finalmente, entre gritos de dor, o espanto por estar de novo ali e as preocupações provenientes do seu encontro com Dumbledore. Harry levantou-se a custo, ajudado por Ginny e Ron. De súbito um coro de perguntas chegou: “o que se passa?”, “Como estás?”, O que tens?”, “Sentes-te melhor?” etc. Este coro foi aumentando de intensidade até que já nada se percebia;
– Basta! – Vociferou Ron. – Dêem-nos espaço, deixem-no respirar. Chega!
E assim todos foram dispersando, voltando os seus focos de interesse para o súbito mistério do desaparecimento do corpo do maior feiticeiro de todos os tempos. A magia desaparecera, o corpo de Albus Dumbledore desaparecera, tudo parecia precário, prestes a desaparecer no ar.
Harry esfregou um pouco a sua cicatriz, já não doía. Olhou os seus filhos que choravam, abraço-os um a um com carinho, assegurando-lhes que tudo estava bem, como era difícil mentir-lhes; Com calma assegurou o mesmo a Hagrid, Kingsley e muitos outros, não contaria nada antes de falar com Ron, Hermione e Ginny. Estes esperaram pacientemente até que por fim conseguiram fazer sinal a Harry e todos juntos partiram em direcção a um lugar muito especial, um lugar que lhes daria, agora, toda a segurança para falar. Harry tinha tanto a dizer, tanto em que pensar; tudo de novo, o terror de novo… Dirigiram-se ao castelo, entraram. Subiram as escadas que já não se moviam, entraram numa sala, evitando o quadro da dama gorda que já não se mexia. A sala comum dos Griffyndor aparecia sublime, tão igual, tão familiar a todos eles. As recordações tentaram entrar nos seus pensamentos mas as preocupações foram mais fortes. Sentaram-se silenciosos, nos seus lugares preferidos perto da lareira. Esperaram um pouco. Harry respirou fundo. Olhou-os, os seus olhos denotavam uma profunda preocupação.
– O que tenho para vos dizer é duro e estranho mas é verdade. – Fez uma pausa. Lá fora o sol brilhava, escarnecendo da situação. – Vou começar pelo princípio: Quando o túmulo foi aberto eu fui sugado subitamente para o seu interior, mas não fisicamente. Foi de forma mágica, como se caísse nas memórias de alguém; E o que vi foi incrível. Quando consegui vislumbrar alguma coisa distingui apenas quatro paredes imundas, ruínas. E ali, caído contra uma parede, completamente ferido, estava o Dumbledore…
Harry falou durante algum tempo sempre acompanhado pelas expressões de espanto e de pânico dos seus interlocutores. Quando terminou ninguém falou. Ron apresentava uma expressão de terror, nas faces de Hermione e Ginny vislumbravam-se algumas lágrimas. Muito tempo passou até que Hermione quebrou o silêncio:
– A fonte da magia, uma lenda, nunca pensei tratar-se de outra coisa. Mas deveria ter-me lembrado. Mas porque consegue Volde…
– Hermione – gritou Ron – Não pronuncies o seu nome, por favor! Ele voltou Hermione, ele voltou!
– Está bem. Porque consegue o Quem Nós Sabemos alimentar-se da magia. Qual é a sua ligação à magia?
Harry levantou-se e seguiu até à janela. Conseguia ver todos os que ainda se encontravam no castelo, perto do túmulo. Parecia existir lá em baixo uma grande agitação. Algumas pessoas corriam de um lado para o outro de forma frenética, outras pareciam festejar alguma coisa, erguendo os braços no ar, exibindo rostos felizes, tão felizes. Voltou-se para responder a Hermione, ainda que bastante intrigado sobre o que se passaria lá em baixo. Abriu a boca para falar, mas quando o ia a fazer James irrompeu pela sala gritando:
-A magia voltou! A magia voltou! – Entre os gritos retirou a sua varinha e, apontando-a a um quadro pendurado na parede, exclamou: reducto! O quadro tremeu um pouco, depois, como que contra a sua vontade, encolheu, tornando-se num quadro microscópico.
Os olhares de Harry, Ron, Ginny e Hermione encontraram-se no ar. Os seus lábios não sorriam. Nas suas mentes uma verdade surgia: A magia voltara, Voldemort voltara!

Roberto Mendes

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